sábado, 10 de julho de 2010

Autobahn


Hoje, indo pro trabalho e escolhendo a trilha sonora pro caminho, me lembrei que estava com o “Minimum-Maximun” do Kraftwerk gravado no MP3. E claro, pulei algumas músicas pra ouvir “Autobahn”, uma das minhas favoritas da banda. Não pude evitar fechar os olhos e praticamente me transportar para a Alemanha e relembrar o maravilhoso momento de percorrer pela primeira uma verdadeira autobahn. Ok, sabemos que autobahn é a palavra em alemão para auto-estrada. Para a maioria das pessoas, nada demais. Andar numa auto-estrada? Grande coisa... Mas as autobahns não são simples auto-estradas.

Nas autobahns alemãs não há limite de velocidade. Pelo menos não na maior parte delas. Então é muito comum estar andando a 160 km por hora e, de repente, ser ultrapassado por um Audi, uma Mercedes ou uma BMW correndo a 200 km por hora. E aquele barulhinho, zzzuummmmmm, e a imagem do carro desaparecendo pelas linhas brancas à frente, pra mim foi inesquecível. Em poucas ocasiões senti tamanha liberdade. Aqui no Brasil temos limites bem rígidos, inclusive no que diz respeito aos nossos carros. Meu Ford velhinho nunca ultrapassou os 120 km por hora. E nossas estradas, quando não foram privatizadas, sofrem com buracos e crateras, o que torna impensável para qualquer um que preza um pouco a vida arriscar colocar mais de 100 km/h numa viagem.

Já as autobahns na Alemanha são muito bem conservadas. E quando não estão tão bem assim, há placas que colocam limites. E todos as respeitam. Em algumas delas, as faixas brancas laterais são pintadas com tintas especiais e textura que, ao atrito com a borracha dos pneus, emitem um som contínuo, que serve para alertar possíveis motoristas sonolentos que estão prestes a sair da estrada.

Os caminhões, com placas de todos os países possíveis da Europa, em diferentes graus de conservação, possuem um limite de horário de rodagem, que é controlado por via eletrônica, e seus caminhoneiros são obrigados a parar para descansar. É comum formarem filas de caminhões de origens diversas, parados em alguns pontos destinados a isso nas autobahns. É a segurança garantida que nenhum deles vai dormir ao volante pela carga excessiva de trabalho. Isto, no conceito de uma auto-estrada sem limite de velocidade, é o 1º Mundo mostrando porque é chamado de 1º Mundo.

Claro, nem tudo é perfeito. Vários pontos das autobahns sofrem com os famosos “staus”, ou engarrafamentos. Especialmente as partes ligando grandes cidades. Então a atenção às placas “ausfahrt” ou saída é obrigatória, além do mapa do local, pois muitas vezes vale a pena sair em uma pequena cidade e percorrer por dentro dela seu caminho. A preocupação é tanta que existe um sistema que, mesmo ouvindo um CD no som do carro, a música é temporariamente interrompida para o noticiário de trânsito. E as informações geralmente são bem precisas, indicando qual autobahn e em que pedaço dela está tendo “stau”, além do comprimento dele em km.

Mas nem isso tira a mágica das autobahns alemãs. Não foi dessa vez que pude dirigir em uma delas, devido a um descuido em pegar a carteira de motorista internacional a tempo, mas só de percorrê-las de carona, olhando suas intermináveis linhas brancas a frente, todo o verde ao redor, já me fez entender a inspiração do grupo Kraftwerk para escrever sobre o tema.

Wir fah'rn auf der Autobahn...